teatro
cultura artística

um patrimônio nacional

“Os dois maiores maestros e compositores brasileiros, Heitor Villa-Lobos e Camargo Guarnieri, prepararam com carinho especial o concerto de inauguração do Teatro Cultura Artística e de abertura da temporada de 1950”, assim descreve Ivan Ângelo o espetáculo de abertura daquele que era na época um dos maiores e mais modernos complexos culturais da América Latina. O projeto de Rino Levi mereceu matérias em várias revistas especializadas da época, com destaque à acústica das salas de espetáculo, ao moderno sistema de ar-condicionado, aos camarins e ao monumental painel de autoria de Di Cavalcanti. Seus dois palcos, nas décadas que se seguiram, abrigariam espetáculos memoráveis de teatro, música, canto e dança. Tudo isso torna o Teatro Cultura Artística um importante marco cultural e arquitetônico brasileiro, justificando seu tombamento nas esferas federal, estadual e municipal.

um novo teatro
cultura artística

Em agosto de 2008 um incêndio de grandes proporções atingiu o Teatro Cultura Artística. As duas salas de espetáculo foram destruídas, mas felizmente a fachada com o mural de Di Cavalcanti, foyers do térreo e do primeiro andar e arquivos históricos foram salvos. O partido adotado pelo arquiteto Paulo Bruna, autor do projeto de renovação do Teatro Cultura Artística, preserva e recupera todas as áreas remanescentes do histórico edifício e atualiza as salas de espetáculo, circulações e áreas de apoio de acordo com os mais modernos preceitos de tecnologia, acústica e segurança. Quando pronto, os dois palcos do Teatro voltarão a receber uma programação variada e com a mesma qualidade que faz da Cultura Artística uma referência. As áreas de convívio do térreo e primeiro andar permanecerão abertas durante o dia e as ações educativas que a instituição vem
desenvolvendo ao longo dos últimos anos passarão a contar com uma infraestrutura de excelência. O Teatro Cultura Artística renasce olhando para o futuro!

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a grande sala
de espetáculos

Ponto focal do Teatro Cultura Artística, a Grande Sala foi redesenhada para abrigar uma programação musical variada. Seus 750 lugares, sendo 400 lugares na plateia central e 350 lugares no balcão, propiciarão uma experiência intimista para concertos de música clássica, jazz, música popular, música eletrônica, espetáculos para a família e atividade educativas. O ambiente intimista é acentuado pela obra da artista plástica Sandra Cinto que reveste toda a sala. Trabalhando em proximidade com os engenheiros acústicos, a artista concebeu linhas e curvas que dão movimento à obra e ao mesmo tempo respondem às necessidades técnicas de reflexão do som. Já a escolha da cor amarela dialoga com a história do edifício, pois é a mesma originalmente utilizada por Rino Levi.

 

Meu projeto para as paredes do Teatro Cultura Artística
A imagem que eu sempre tive em mente foi criar um espaço primeiramente acolhedor, que receba o público de braços abertos e o ajude a ser transportado pela música seja
para onde for que ela o guie. Uma imagem aberta para diversas interpretações: uma paisagem, nuvens, água, movimento, efeito borboleta, vibração, sonho…
Colocar o pentagrama vazio no centro do palco é uma grande homenagem à escrita musical e a todas as composições que foram feitas e as que ainda estão por vir.
Gosto muito de dialogar com a história do antigo teatro em termos cromáticos, esta é a
minha forma de homenagear o arquiteto Rino Levi e mantêlo por perto. A coloração mais amarelada/alaranjada/acobreada, pendendo para o dourado, me remete a um templo, um templo onde a Música, a Arte e o Amor são sagrados.
Sandra Cinto

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pequena sala

Com 150 lugares e paredes em tons escuros, a Pequena Sala foi pensada como um espaço versátil, podendo abrigar apresentações musicais, espetáculos teatrais, leituras dramáticas, cursos e palestras, resgatando a tradição da Cultura Artística
como um dos principais palcos culturais da cidade. O novo desenho mantém duas características que remetem ao projeto original. Sua localização no piso térreo, contígua ao foyer de entrada, propicia um diálogo muito próximo com a rua. Além disso, a cor original das poltronas também será retomada. Durante as pesquisas de restauro, constatou-se que as poltronas eram azuis, do mesmo tom do piso de pastilhas de vidro do foyer, criando uma unidade entre o dois espaços.

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o desafio
do restauro

Com 48 metros de comprimento e 8 metros de altura, a obra “Alegoria das Artes” é o maior painel concebido por Di Cavalcanti. Foram necessários 18 meses para restaurar as cerca de 1,2 milhões de pastilhas de vidro, trabalho que mereceu do IPHAN o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade como melhor obra de restauro de 2012. Da mesma forma, as demais áreas remanescentes do Teatro, incluindo fachada, foyers históricos do térreo e do primeiro andar, duas escadas e bilheterias terão todos seus detalhes originais restaurados. Quando prontos, este espaços receberão de volta uma parte do mobiliário original concebido por Rino Levi e pelo Studio D’Arte Palma, de Lina Bo Bardi e Giancarlo Palanti, complementado pelo moderno mobiliário e pela comunicação visual idealizados por Luciana Martins e Gerson de Oliveira da ,Ovo.

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um edifício vivo,
em diálogo com a cidade

Cobrindo o segundo e terceiro andares da fachada do Teatro, o painel de Di Cavalcanti sempre despertou admiração por todos que transitam pela rua Nestor Pestana. Logo abaixo do painel, os antigos foyers do primeiro e do segundo andar, todos de vidro, propiciam uma integração do interior do Teatro com o seu exterior. Essa interação será potencializada por três novos espaços. Serão recuperadas as duas lojas do térreo, abertas ao mesmo tempo para o interior e exterior do prédio, que receberão uma livraria e um café. Além disso, foi criado um novo foyer emoldurado por cortina de vidro de quatro andares para aproveitar a vista para a área verde, que surgiu com a demolição de imóvel contíguo ao Teatro, e para a Praça Roosevelt. Todos estes espaços permanecerão abertos durante todo o dia, mantendo o quarteirão vivo e contribuindo à revitalização do entorno.

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cultura artística
educativo

As iniciativas desenvolvidas pelo Cultura Artística Educativo impactam cerca de 10 mil pessoas a cada ano. Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de jovens músicos e difundir a música clássica e a performance, incluem masterclasses, palestras, preservação e pesquisa do acervo histórico, distribuição de ingressos, atividades digitais, além do programa de bolsas de estudo Magda Tagliaferro, que hoje beneficia 16 jovens anualmente, sendo 12 no Brasil e 4 no exterior. No novo Teatro Cultura Artística, todos os programas existentes serão expandidos e requalificados. Masterclasses serão ampliadas e ganharão espaços de excelência para as execuções. Os bolsistas da instituição contarão com espaços de estudo e de prática musical, incluindo 4 estúdios com tecnologia digital, com condições ideais para gravação e aulas à distância. O acervo tombado da Cultura Artística terá uma sala dedicada, dotada de modernos preceitos de tecnologia e segurança. Por fim, visitas guiadas voltadas principalmente para escolas serão realizadas ao longo do dia.

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